INTEIRA

Declinei em amante lua
A luz que me coroava a face
Desejei enquanto desconhecia
Amar-te
Inteira

despi-me de certezas
vesti-me de guias
nenhum pedaço, transposto
piso em terras antigas
Sou sua
Sendo quem sou

E, mesmo nas ausências
a alvorada acolhe
sua imagem consentida
o estalar das horas breves
toda a perfeição

Renascemos em tempos paralelos
existências distintas
espaços derradeiros

No ano em que morremos
Cedia aos poucos minha tenebrosa tumba
ao romper, em antecedência temporal, o seu simbólico prenuncio de alvorada

A nova vida
Exalta em melodia
nossos caminhos
o que a terra densa e sagrada
lançou em brotadura

Nossa ascensão espiritual
da virtude
da coragem
da entrega


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