
Quando as paredes do castelo caíram eu estava lá, perdida e descalça, construindo virtudes e as possibilidades do impossível.
Apesar da multidão dos silêncios, não me senti só, como outras vezes.
Agora, caminho cheia de palavras, subo em telhados e os ratos não me incomodam.
Não sou de muitas certezas, mas sei que o destino espreita e me darás um nome, reconhecerei pelo tom, pelas cores, pela lança e a espada. Um sussurro, que só você e os tempos adverbiais falarão.
O dia clareou às 7:36h. Sigo a rua, vejo a floricultura na esquina e o metrô a uma calçada de onde estou.
Hoje, o acaso me acomoda.
Qual estação irei descer?
Mochila, bota, cachecol azul... Atravesso sinais sem atenção.
Seus ensaios enebriam a minha mente...
Está frio!
Talvez sejamos pessoas perdidas, buscando lugares errados.
Os desejos comuns deveriam se atrair...
A minha mente segue inquieta.
Uma, mais uma e, outra estação já se aproxima.
Quem sabe me dispo de mim para vestir em você?
Desço onde meu coração aquieta e sigo... Vejo o carrossel, subo a longa escadaria acompanhada pelo vento e pelo pedaço de guardanapo que peguei no café,
nele, um fio de poesia.
Daqui de cima eu vejo a cidade inteira e posso escolher entre os muitos cinzas e seus jardins.
Alguns pássaros não pousam...
Nas calçadas, percebo os seus passos, sempre apressado e distraído.
Você sem rumo na direção certa.
É tarde e não escrevi,
o sol frio se ajeita na rede.
Na entrada da Basílica, sinto o tropeço e a sua nota grave tensionada sobre mim. Os meus óculos caem e passo a enxergar distante. Antes que possa dizer uma palavra, imprimo seus olhos castanhos,
uma travessia de recordações sutis e do necessário retomado.
Estou em suas mãos!
Eu e o mundo.
O ato essencial de se deixar ir e construir saudades.
O outono se adianta e meus pés levantam as folhas, volto à casa com o tênis sujo de areia. No caminho, passo na floricultura e compro rosas, já não encontro os girassóis.
Os cafés são insuficientes e lembro do Rio que me trouxe até aqui, de você distraído pegando os meus óculos do chão, sua magreza, jeans e camisa branca dobrada nos punhos.
O meu aprisionamento de portas abertas ...
Nossas meias deslizam pelo assoalho e os jardins lá fora ... Os cinzas e as flores,
canção e travessia.
Seu sobretudo vermelho e meu cachecol azul,
o silêncio,
os quarteirões contados a esmo,
seu cigarro aceso,
os meus pés que dançam,
a sua insanidade.
Já sei o meu nome.

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