Em ti o natal

O MAR

Nasci conhecendo suas mãos envelhecidas, foram as que sempre enxerguei. Mãos que transformavam tristezas em alegria. Dessa visão afetiva aprendi a admirar tudo o que havia Tempo: O conhecimento, as tradições, a história. Aprendi a amar e a buscar conhecimento sobre todas as marcas envelhecidas pelos anos.

 

Cresci ansiando por suas visitas, seus doces guardados, pelo natal, pelas rabanadas que recebia as escondidas, antes da hora da ceia, pela semana de férias que passávamos com os primos em Itaipu. Conectei-me já na infância a espiritualidade amiga pelas mesmas mãos que via saldar e ritualizar em atos sagrados a chegada do ano novo.

 

Cresci sob afagos nos meus cabelos de criança que nunca cresceu aos seus olhos. Pude enxergá-los em sua essência profunda e espiritual, nas dores transformadas em atos de amor, em natal.

 

Escutei sua história perdida e sofrida proferida por sorrisos. Escutei como um lápis sedento de palavras. Em ti o natal e sua história! (…) porque a minha avó buscando a si mesma construiu um mundo.

 

Conheci os seus medos e procurei abrandá-los cheia das certezas que não tenho. Com as mãos postas sobre seus cabelos brancos agradeci a Deus por estar ali, fortalecendo os laços que me sustentariam na sua partida.

 

Sorri com os seus sorrisos e doces. Chorei com os seus olhos de despedida e em agradecimento profundo pelos laços estendidos, sagrados e permanentes.

 

Minha avó! Hoje escrevo em sua homenagem e reforço nossos afetos contando aos seus bisnetos as mesmas histórias da sua vida e do natal que aprendi e tive o merecimento de escutar.

 

Beijo-lhe a testa e hoje as minhas palavras são suas,

 

Feliz Natal!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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