
O custo social, político, ambiental e cultural do Brasil que não lê tem sido muito caro e seus impactos, deixado sequelas gravíssimas no país. Essa foi à pauta principal dos debates que ocorreram entre os dias 09 e 11 de outubro de 2017, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro – PUC-Rio no VIII ENCONTRO NACIONAL DA CÁTEDRA UNESCO DE LEITURA DA PUC-RIO / II SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE LEITURA.
Diante do panorama gravíssimo de nossa realidade política que os debatedores apresentaram a literatura como um mecanismo de crítica social e transformação do país. Foram dias direcionados a construção de pontes de conhecimento e caminhos para pensar estratégias para uma nova realidade e a literatura, a ferramenta essencial.
O país caminha novamente para a construção de um projeto anti-leitura, ou seja, nega e criminaliza a diversidade, as artes e a possibilidade de acesso as suas diversas expressões. O custo desse retrocesso tem sido alto para a cidadania e a democracia. Durante os painéis foi apresentada a intenção dos setores econômicos brasileiros não permitirem políticas de leitura, relegando a educação brasileira a planos menores em detrimento dos projetos econômicos.
De que forma a literatura e suas diversas leituras podem modificar essa realidade?
De acordo com o professor André Lazaro da UERJ, a literatura comporta uma rede de relações e a prática da leitura amplia o mundo individual e social, pois ouvir e contar histórias faz do mundo uma possibilidade de afetos. Pela palavra, leitura e ação o mundo é transformado.
Vera Aguiar (PUC-RS) afirma que a leitura não é fechada na escola, mas deve ser assumida pela sociedade como um todo. Lembrando o que o poeta mexicano Octavio Paz apresenta: a literatura como valor educativo.
A professora Helena Modzelewsky (Udelar – Uruguai) realizou uma reflexão importantíssima onde a educação literária ganha espaço de protagonismos nas redes de relações e formação sociais. Para Helena, a educação para cidadania implica emoções e afetos. Compõe as nossas perspectivas de mundo e uma identidade narrativa, ou seja, as nossas representações e valores são formados e internalizados na medida em que escutamos as vozes dos personagens e assim nos escutamos e construímos uma educação para inclusão social. Dessa forma, as narrativas literárias tornam-se possibilidades de internalização do mundo através das emoções que segundo Martha Nussbaum são passíveis de traduzir-se e as vezes não nos damos conta pela intensidade delas.
As emoções e crenças humanas são repletas de narrativas e por isso necessitárias de imaginação. As experiências emocionais são sentidas pela narração do que foi vivenciado. A professora Helena Modzelewsky afirma ainda, que as narrativas não são apenas contos, mas a única forma que os seres humanos apreendem as suas experiências e quem são.
A transformação do Brasil que não lê, segundo Helena, seria através da educação cidadã, onde o receptor (leitor) entra em diálogo com os personagens (Narrador), o que ela chama de Narração polifônica, pois cada personagem fala com a sua própria voz a partir da interação do leitor com a narrativa. Para escutar um personagem é importante ouvir a voz dos que dizem algo sobre ele. É preciso imagens para conhecer a si mesmo e a realidade, vislumbrando-se como um mosaico. Este seria o fundamento da literatura na vida real.
Um dos caminhos apresentado durante todo o simpósio foi avaliar possibilidades de leitura: institucional, social, cultural e política e chegar ao debate de quanto vale o Brasil que lê, através das experiências concretas da literatura como fundamento de mudança, a exemplo das Mulheres Coralinas.
Acreditar no papel d leitura é a maior forma de resistência, uma revolução silenciosa que busca efetivar-se através da educação ampliada e da participação conjunta de atores sociais nas escolas, nas famílias, redes sociais e comunitárias.

Deixe um comentário