O que você precisa saber sobre questão indígena e identidade nacional

 

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Qual é a relação entre questão indígena e identidade nacional?  O que isso tem a ver com você?

Ao contrário do que possa pensar, a questão indígena é muito mais impactante na sua vida do que imagina, pois a relação estabelecida com o território que ocupas é resultado da ausência ou fragilidade das representações ancestrais em sua formação.

É emergencial a necessidade da sociedade brasileira voltar-se para si, (re)conhecer e reafirmar uma história autêntica, escrita por  indivíduos que são silenciados todos os dias e que podem fortalecer e re-significar a  identidade nacional, que revela a sua ineficiência na medida em que não é mais reconhecida e/ou defendida, revelando a fragilidade das suas bases de fundamentação, aflorando o desconcerto de uma sociedade estratificada, negada em suas raízes e construída em uma cultura mentirosa, excludente e burguesa.

Sem o reconhecimento e compreensão da verdadeira memória histórica brasileira, a sociedade perde a oportunidade de fortalecimento e de mudanças oriundas do poder inquebrantável da identidade cultural.

Hoje, dia Internacional dos Povos Indígenas, reforço a necessidade de buscar a legítima memória histórica nacional, não apenas para revisitar e recontar o papel da negação permanente que as populações indígenas vem sofrendo neste país, mas para afirmar que as suas histórias persistem, que as populações e os sujeitos indígenas coexistem a esta formação e que ela é construída cotidianamente utilizando concepções de indivíduo, comunidade e sociedade ainda pouco conhecidos no Brasil.

Qual é o grande desafio?

A construção nacional do Brasil mestiço. Aquela da mistura de raças em que dificilmente alguém se definiria a partir de uma identidade cultural, no centro dessa mistura estaria o indígena exterminado e é, justamente, essa concepção que este governo ilegítimo propõe revisitar.

Outro desafio atual que legitima o discurso instituído está justamente na desconstrução da imagem exótica e estereotipada do indígena entranhada na identidade nacional.

Possivelmente, se fossem questionadas, as pessoas diriam que nunca viram um “índio” de perto e que gostariam de vê-lo, mas com a mesma imagem dos livros e do passado, expondo uma memória social que pensa os povos indígenas como homogêneos, estereotipados, com características únicas.

A proposta do governo federal de revisitar o pesadelo da integração é tornar mais distante qualquer possibilidade de transformação social e construção crítica de uma nova memória histórica brasileira, na tentativa insignificante de transformar os indígenas em peças do passado, “integrando-os” a sociedade, destituindo-os de direitos.

Porém, o tempo já mostrou o quão é poderosa a identidade cultural. Diante das inúmeras tentativas de “integração” e extermínios dos povos indígenas o tiro saiu pela culatra, pois a inserção do indígena na sociedade o instrumentalizou de novos conhecimentos e armas de resistência.

Os indígenas passaram a ocupar todos os espaços, rurais e urbanos, utilizando novas ferramentas de resistência e disseminação de suas culturas através da arte, música, comunicação, literatura, cinema, educação, redes midiáticas e organização política.

Os indígenas estão presentes no contexto social e político brasileiro e embora não sejam mais aqueles que os colonizadores encontraram em 1500, estão aqui para ficar. Não há como negar essa realidade, é fundamental reconhecê-la e tratá-la no palco dos debates críticos e afetivos da dinâmica do cotidiano e projetos de futuro.

É preciso valorizar e conhecer as concepções de mundo e história originárias do Brasil para que a população se reconheça como sujeito histórico, fortalecendo a identificação de união diante da diversidade vivenciada. Esse caminho só será possível pelo reconhecimento e valorização dos povos indígenas e pelo respeito à diversidade cultural de outras identidades, dos homens em humanidade e do território que ocupamos temporariamente.

 

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