
Segue o rio,
Segue…
Teimoso e predestinado,
em margens ansiosas.
Serena água acolhendo necessidades,
Aos pés do sagrado
Continua…
Chora…
Segue!
Atravessava o Rio Negro em minha canoa, bem atento à movimentação das águas. Sabia que estava chegando bem próximo daquela margem onde conseguiria pescar um belo Tucunaré. O sol escaldante já havia esfriado fazia tempo e não demorava muito iria anoitecer.
Joguei a isca e em pé na pequena proa observava atendo qualquer movimento. Esperei ao tempo das aves e o cantar de um Akawã me chamou atenção e me perdi na imensidão dos pensamentos que vieram…
De repente o meu olhar voltou-se para as águas, quando senti que algo estava diferente e pensei:
— Akawã veio avisar que não era hora!
A canoa sacudiu e as águas a volta dela também, o vento parou e o ar abafado calou as aves mais próximas. As águas falavam!
Decidi sentar com a linha ainda ao fundo e vi que não estava só.
Era a casa do encantado, lugar sagrado e eu tinha que esperar.
Fonte de vida
O rio é um ser encantado
Não permite, nem degenera.
Regenera.
Oração flutuante
Oferece abundante as estações do conhecimento.
E eu ali, só, diante da imensidão da vida.
Era pouco e me fazia tudo
Vacilante…
Só porque era necessário,
Remei no remanso e a canoa rodava e balançava…
O rio desconfiado ficou banzeiro e mostrou a sua vontade.
Lutei com coragem, a linha escapou das minhas mãos,
Afastei-me alguns metros e saí da margem.
Akawã foi embora e também parti sem o belo peixe…
Segue o rio!
Segue…
Dono de si,
Caminheiro universal.

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