
Em algumas tardes ou manhãs de 2015 vivenciei e ouvi experiências e relatos sobre atividades realizadas nos espaços escolares para tratar da história e cultura indígenas no Brasil. Sob olhares atentos e esperançosos de crianças e educadores foram compartilhadas experiências que mesmo pontuais resultaram em reflexões importantes sobre a importância de dar curso e efetividade ao ensino da história e cultura indígenas nos espaços de educação, tanto quanto a necessidade de um aparato mais estruturado e organizado para valorizar os interlocutores deste conhecimento.
É possível observar que diante da necessidade de aplicar a Lei 11645/08 muitas iniciativas pontuais emergem e com elas os convites informais para amigos indígenas e estudiosos comprometidos com a temática, ao meu exemplo. Iniciativas louváveis, porém incapazes de solucionar este desafio e a obscuridade histórica dos tempos. A informalidade e certo descompromisso com a real importância que a temática possui em sua transversalidade fazem com que os convites, a exemplo do Estado do Rio de Janeiro, sejam feitos de forma equivocada, esperando que o convidado trabalhe de forma voluntária ou recebendo apenas uma ajuda de custo.
As atividades geralmente ocorrem de forma pontual e em curto espaço de tempo, uma prática sensibilizadora que deixa lacunas frente a uma abordagem que precisa ser mais estruturada e ampliada. O tempo nesse caso passa a ser um vilão diante de tanta ansiedade dos participantes em se aproximarem do “desconhecido” e desconstruírem o que insistentemente continua a ser retratado nos livros e nos veículos de massa: Um “índio” genérico e estereotipado.
E assim, iniciam-se as atividades, todos ansiosos e esperançosos. De um lado crianças e educadores um tanto surpresos. Muitas vezes é possível observar aquele ar de decepção em pensamentos sobre onde estariam as plumagens e os rituais exóticos? E do outro lado os oficineiros diante do desafio entre o tempo e o conteúdo.
Aos poucos as primeiras impressões dão lugar ao consenso entre a fundamentação e o espaço temporal na busca de articular conhecimentos e curiosidades que vão sendo delineados na possibilidade de um novo paradigma de conhecimento e entendimento de educar. Os processos são valorosos abrindo diálogos multidisciplinares e uma relação apaixonada entre conhecimentos.
No fim… Fica aquela sensação de estrangeiros que descobrem outro país e um sentimento de incapacidade diante de tantas possibilidades desconhecidas por parte dos educadores. As respostas das crianças as atividades refletem o universo de caminhos para construção de um novo diálogo entre quem somos e quem podemos ser, possibilidades de uma nova ética que precisa ser resiginificada.
O grande desafio está entre a necessidade e o compromisso de todos com a formação, capacitação e valorização dos educadores indígenas e não indígenas atuantes no ensino da história e cultura indígenas nas instituições de ensino públicas e privadas no país.
Vejo essencialmente caminhos de um devir político para a reconstrução da memória histórica nacional e reconhecimento das demandas atuais que envolvem os povos indígenas e que diz respeito a todos nós, por tratar-se dos modelos cíclicos de desenvolvimento, desigualdade, exploração, desrespeito, invisibilização dos povos indígenas, da história nacional e do meio ambiente.

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