Resistência e reconhecimento dos Povos Indígenas através da Educação

Brincos Indígenas

Os indígenas brasileiros vêm travando uma luta de resistência social, cujos conteúdos são contemporâneos e incluem: a defesa da garantia de direitos específicos; da necessidade de emancipação jurídico-política e de (re)construção da imagem histórica das populações indígenas no cenário nacional.

A questão indígena é uma temática imprescindível para recontar a história do país e que não ficou no passado, pois é uma questão muito presente que está contribuindo para a concepção de que a história é um processo em continuidade, dentro e fora da escola, construído a partir de referenciais importantes no campo da educação e que amplia o interesse do aluno sobre a sua própria história e sobre a sociedade da qual faz parte.

As configurações socioeconômicas da sociedade brasileira em sua história se refletiram de maneiras diferentes sobre os povos indígenas. Assim como há aqueles que foram capazes de manter a sua identidade cultural e permanecer em seus territórios ancestrais, para muitos —talvez a imensa maioria— a trajetória das populações indígenas partiu do genocídio e da escravidão para desaguar no trabalho de baixa remuneração e limitado prestígio social vivendo nas periferias pobres das cidades, passando pela proteção religiosa e pela tutela do estado em muitas geografias da nação.

A questão indígena na atualidade revela o panorama de um novo país inserido num contexto global, que tem que lidar com questões culturais diversificadas, ou melhor, onde o elemento principal das lutas e direitos passam pela cultura, reconhecimento e respeito à diversidade, em um país que a muito pouco tempo atrás acreditou e investiu na padronização pela miscigenação e incorporação das diferenças a uma só imagem de povo brasileiro. Assim como, a garantia do Direito a educação indígena diferenciada em escolas indígenas é uma necessidade que fortalece a identidade cultural indígena, a obrigatoriedade do ensino da cultura indígena nas escolas não-indígenas é um avanço político e social no Brasil.

A obrigatoriedade do estudo da história e cultura indígena nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio públicos e privados (Lei 11645/08) é um enorme avanço tanto quanto um grande desafio. Avanço por tratar-se de um reparo histórico diante da invisibilização das populações originárias deste território e da possibilidade de reconstrução de uma identidade nacional fragmentada e equivocada. O desafio encontra-se na deficiência de profissionais formados e capacitados para contar essa história, bem como da legitimação acadêmica para reconhecer os indígenas também como capazes para a capacitação dos profissionais da educação na temática.

A necessidade de recolocar, para repensar, a questão indígena no Brasil atual implica, necessariamente, no reconhecimento da legitimidade dos novos lugares que os indígenas vêm ocupando, sem abrir mão das suas identidades culturais. Isso quer dizer que o papel dos indígenas no processo de capacitação docente, de escolha de conteúdos e nomenclatura e de construção de material didático/pedagógico para a aplicação da Lei 11.645/08 é fundamental, já que o processo permanente de desconstrução de estereótipos implicará em (re)conhecer a autonomia dos conhecimentos tradicionais e contemporâneos dos diversos povos indígenas brasileiros.

A grande questão está em justamente compreender que a inclusão da temática indígena nas escolas brasileiras implica a necessidade de incorporar outras cosmovisões no tratamento de conteúdos, além de novos entendimentos do que significa educação nas perspectivas de diversos dos nossos povos indígenas. Em outras palavras, será preciso encontrar formas de conhecer o que vem a ser uma educação indígena voltada para os não-indígenas pois, do contrário, a escola corre o risco de reproduzir ou, até mesmo, de criar novos estereótipos.

Deixe um comentário