O principal desafio do processo de autonomização da obra literária é a ruptura com as antigas tradições, com o desinteresse pelas produções populares na ordem da economia cultural. Nesse contexto estrutura-se o princípio autônomo da “arte pela arte”, num processo em que se busca a essência da obra e da arte, instaurando a autoproibição referente às análises das condições sociais e históricas nas quais foram produzidas.
O avanço da autonomia, a busca da essência e da percepção pura fez da obra legítima uma instituição social, com posturas e condições da produção e da leitura a-históricas.
A literatura não pode ser entendida apenas como técnica, pois é fruto do sentido e da individualidade frente ao movimento da vida. Assim, o outro desdobra-se no olhar do autor, ao distanciar-se do familiar, ao contemplar a si de modo diferente, compondo identidades e sentidos para a realidade.
Para Antonio Candido (1995) , a literatura enquanto ferramenta de transformação social, é imprescindível à existência humana, pois ela congrega e humaniza o espírito humano sendo, portanto, um direito inalienável de todos. Na medida em que a literatura possibilita o acesso a outros níveis de conhecimento, ela transforma e amplia a capacidade de questionamento da realidade.
A literatura prima e irmã da arte é um direito, um instrumento de reconhecimento e transformação do mundo.
*Fonte: CANDIDO, Antonio. O direito à literatura, Vários escritos. 3a. Edição. São Paulo: Editora Duas Cidades, 1995. p. 169-191.


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