O autor e a obra

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“A noção do autor constitui o momento crucial da individualização na história das ideias, dos conhecimentos, das literaturas, e também na história da filosofia e das ciências”. (FOCAULT, 2001, p. 268)

Focault (2001) faz uma analogia interessante entre heróis e autores, talvez essa não seja a mais correta das minhas análises sobre o que o filósofo propôs, mas a ideia de que a criação mitológica dos grandes heróis através da imortalização de uma obra é bem significativa, isso é!

Em sua perspectiva de invisibilidade e morte do autor, posterior a funcionalidade dos grandes heróis, penso que não seja, no momento, a minha opção epistemológica, já que caminho na possibilidade revolucionária e afirmação dos desejos pelo fortalecimento da imagem dos autores. Talvez não queira mesmo reconhecer a ideia de que a obra tenha o direito de matar o próprio autor, despistando sua individualidade particular.

Não creio que esta seja a única forma singular, já que muitos autores se constroem a partir de suas obras, vendo a partir delas um sentido de busca essencial e identitária. Porém devo concordar, se me é permitido, que autor é uma função e, “portanto característica do modo de existência, de circulação e de funcionamento de certos discursos no interior de uma sociedade”.

E como mesmo diz Focault (2001), os discursos começaram a ter autores, na medida em que os mesmos puderam ser punidos e os discursos transgressores. Sendo assim, nomeio a minha rebeldia por Autoria. Sendo este um gesto de poder particular para dizer muitas coisas, que desejo serem apropriadas.

No exercício da razão suprida de emoção, afirmo que homens e mulheres buscaram na prática de seus cotidianos, a afirmação de suas ideias, mesmo quando pensavam não terem ideias próprias, dialogando e buscando serem reconhecidos no mundo.

O autor e obra é o exercício de si mesmo colocado em contexto complexo de convivência com o Outro, se morremos ou não, talvez seja questão de tempo. Mas, quem sabe algumas mortes não sejam necessárias para que possamos renascer através de múltiplas formas?

Fonte: FOCAULT, Michel. “Ditos e Escritos”. Estética – Literatura e pintura, música e cinema (Vol III). Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2001. 

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